Falta de planejamento por parte da SEDUC deixa estudantes sem matrícula em Itaporanga

Escrito por Luana Capistrano Ligado .

Na cidade de Itaporanga D’Ajuda, mães, pais e estudantes estão preocupados, sem saber o que fazer, porque não há mais vagas para matrículas no Colégio Estadual Hélio Wanderley Sobral Carvalho, único da cidade que oferece o ensino médio regular, em tempo parcial (por turno). Para o SINTESE não há dúvida: a situações é um reflexo a falta de estudo e planejamento por parte de Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (SEDUC)

 

 

Atualmente em Itaporanga duas unidades de ensino da rede estadual oferecem o ensino médio, o Colégio Estadual Hélio Wanderley Sobral Carvalho, onde há as três séries do ensino médio regular, em tempo parcial (por turno) e o Colégio Estadual Felisbello Freire, onde a única opção para cursar as três séries do ensino médio regular é em tempo integral.

A problemática se deu justamente no momento em que a SEDUC abriu as matrículas para aqueles alunos que não faziam parte da rede estadual de ensino, no ano de 2019. Quando parte dos estudantes oriundos da rede municipal (em sua maioria), que terminaram o 9º ano do ensino fundamental, foram se matricular no 1º ano do ensino médio, do Colégio Estadual Hélio Wanderley Sobral Carvalho, já não havia mais vagas.

O cenário que se apresenta hoje em Itaporanga é o seguinte: Mais de 100 famílias estão tentando matricular seus filhos e filhas, no Colégio Estadual Hélio Wanderley Sobral Carvalho, mas não há vagas. Estes jovens não querem ou não podem cursar o ensino médio em tempo integral, ou seja, para estes meninos e meninas a matrícula no Colégio Estadual Felisbello Freire não é uma opção.

Falta de estudo e planejamento

Para entender melhor o cenário da rede estadual de Ensino, em Itaporanga, é importante retomar o final do ano de 2017, início de 2018. Foi neste momento que a Secretaria de Estado da Educação começou com uma ação ostensiva para transformar o Colégio Estadual Felisbello Freire em Centro Experimental de Ensino Médio em Tempo Integral.

A comunidade escolar foi radicalmente contra a implantação do ensino médio em tempo integral, alegando que o tempo integral não condizia com o perfil dos estudantes do Colégio Estadual Felisbello Freire, além de alegar também a total falta de estrutura física da própria escola para a implantação de tal modalidade.

A luta foi grande. Houve atos e paralisação das atividades do Colégio. Mas nada disso adiantou, a SEDUC, mais uma vez, de forma verticalizada, ignorando os apelos da comunidade escolar, implantou o ensino médio em tempo integral Colégio Estadual Felisbello Freire.

Resultado: Colégio Estadual Felisbello Freire que atendia mais de 1.300 estudantes de Itaporanga D’Ajuda, atualmente atende menos de 500 alunos do ensino médio regular. Oito salas da unidade de ensino estão ociosas devido ao pequeno número de alunos. Enquanto isso, no Colégio Estadual Hélio Wanderley Sobral Carvalho as turmas e salas seguem lotadas.

O que está acontecendo hoje em Itaporanga demonstra claramente o que o SINTESE sempre colocou: a total falta de planejamento, de estudo, de diálogo por parte da Secretaria de Estado da Educação quando o assunto é ensino médio em tempo integral. Por capricho do governo do estado, do secretário da educação, se implanta o tempo integral sem qualquer tipo de analise, ignorando a realidade das comunidades escolares.

“Óbvio que o resultado, cedo ou tarde, não pode ser outro: estudantes que buscam o ensino médio em tempo parcial e se deparam com a falta de vagas, sendo obrigados a se matricular no tempo integral ou partir para o EJA (a depender da idade) ou a abandonar os estudos. Este é um cenário muito cruel. Mais uma vez colocamos que o SINTESE não é contra ao ensino médio em tempo integral, somos contra a forma que a SEDUC e que o Governo do Estado vêm conduzindo a questão. Ensino em tempo integral não se sustenta só por capricho pueril de governante de plantão”, afirma o vice-presidente do SINTESE professor Roberto Silva.

Audiência

Diante desta grave situação, uma comissão formada por mães, pais e estudantes que tentam vaga no Colégio Estadual Hélio Wanderley Sobral Carvalho, estiveram na manhã desta sexta-feira, 24, na de Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (SEDUC), na tentativa de buscar soluções para a questão das matrículas. Ficou agendada uma audiência para a próxima terça-feira, dia 28, às 9h, no prédio da SEDUC, em Aracaju.